O NATAL
Feliz Natal!

Desejo um Feliz Natal e um Próspero Ano Novo a toda a população mundial, em especial à minha família, aos meus amigos, a todos aqueles que trabalham na Biblioteca Municipal António Botto, em Abrantes, e aos meus colegas do Curso Pós-Graduação em Ciências Documentais, do ISLA de Santarém.
Votos de Boas Festas, também, para todos os cibernautas e bloguistas que se cruzam no espaço virtual.
Deixo-vos com dois Poemas de Natal:
HISTÓRIA ANTIGA
Era uma vez, lá na Judeia, um rei.
Feio bicho, de resto:
Uma cara de burro sem cabresto
E duas grandes tranças.
A gente olhava, reparava, e via
Que naquela figura não havia
Olhos de quem gosta de crianças.
E, na verdade, assim acontecia.
Porque um dia,
O malvado,
Só por ter o poder de quem é rei
Por não ter coração,
Sem mais nem menos,
Mandou matar quantos eram pequenos
Nas cidades e aldeias da Nação.
Mas,Por acaso ou milagre, aconteceu
Que, num burrinho pela areia fora,
Fugiu
Daquelas mãos de sangue um pequenito
Que o vivo sol da vida acarinhou;
E bastou
Esse palmo de sonho
Para encher este mundo de alegria;
Para crescer, ser Deus;
E meter no inferno o tal das tranças,
Só porque ele não gostava de crianças.
Miguel Torga, Antologia Poética
NATAL À BEIRA-RIO
É o braço do abeto a bater na vidraça?
E o ponteiro pequeno a caminho da meta!
Cala-te, vento velho! É o Natal que passa,
A trazer-me da água a infância ressurrecta.
Da casa onde nasci via-se perto o rio.
Tão novos os meus Pais, tão novos no passado!
E o Menino nascia a bordo de um navio
Que ficava, no cais, à noite iluminado...
Ó noite de Natal, que travo a maresia!
Depois fui não sei quem que se perdeu na terra.
E quanto mais na terra a terra me envolvia
E quanto mais na terra fazia o norte de quem erra.
Vem tu, Poesia, vem, agora conduzir-me
À beira desse cais onde Jesus nascia...
Serei dos que afinal, errando em terra firme,
Precisam de Jesus, de Mar, ou de Poesia?
David Mourão-Ferreira, Obra Poética 1948-1988
Lisboa, Editorial Presença, 1988

1 Comments:
Embora já passe muito do Natal (só agora criei o meu profile como bloger) gostava de te deixar aqui um poema sobre o Natal(que é um fado já musicado)e, embora eu não saiba o nome do autor, este poema reflete o Natal vivido por duas crianças: um rico que tem tudo e um pobre que não tem nada ... e como é diferente o natal e repara sobretudo como termina o poema (os 2 últimos versos)que querem dizer muita coisa: o Poema é intitulado "2 garotos".
Enquanto a neve cobria os arvoredos
Um garotinho muito novo passa a pé
mostrando ao outro as mãos cheias de brinquedos
Que o bom Jesus lhe pusera à chaminé
Olha p' ra isto, que bonito, que apanhei
Este palhaço, este boneco, este carrinho
Hoje é Natal de manhã quando acordei
Tinha isto tudo no meu lindo sapatinho
Passa um outro garotinho a soluçar
Amachucando um lenço velho entre os seus dedos
Pois se não tenho sapatinhos para calçar
Como podia o bom Jesus dar-me os brinquedos
Não tenho pai, não tenho mãe, não tenho nada
Cá vou vivendo sempre à custa dos demais
Durmo num banco ou degrau de uma escada
A vida tem estes medonhos vendavais
Não digas mais que as palavras comoveram
Meu coração esconde um outro garotinho
Toma metade dos brinquedos que me deram
E desta forma também ficas contentinho
Agiram bem no seu regime de gaiatos
Assim os homens procedessem com juízo
Não haveria tantas lutas nem desacatos
E o mundo inteiro era um perfeito paraíso
Sissi!: Este também será um bom poema de Natal, e de como pode haver concórdia, sobretudo quando esta foi feita por 1 garoto que soube partilhar o que tinha com o que não tinha
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