Sissi

2006-01-24

CABO VERDE


Ilhas do Arquipélago de Cabo Verde



Ilha do Sal

Em Setembro de 2005, estive de férias na Ilha do Sal, em Cabo Verde.
Sal é uma das ilhas mais próximas do continente africano. Esta ilha prima pela sua aridez, onde é raro encontrar vegetação, o que lhe confere uma paisagem constituída quase exclusivamente por areia e dunas. Em contrapartida, o mar é povoado por uma fauna diversificada, o que facilita uma gastronomia muito própria, que vive do perfeito equilíbrio entre os sabores fortes dos temperos e o paladar mais ou menos suave dos diversos peixes e mariscos. Plana, apesar da sua origem vulcânica, o Sal tem uma superfície total de 216 km2 e uma extensão máxima de cerca de 30 km, com cerca de 14.800 habitantes.

Na Ilha do Sal, visitei vários locais, entre os quais Pedra de Lume, uma pequena povoação onde se localizam as famosas salinas que deram o nome à ilha. As salinas ficam no interior duma antiga cratera de vulcão para onde a água do mar se infiltra e evapora, dando uma cor ligeiramente rosada. A exploração do sal iniciou-se no século XVIII e foi durante muito tempo o factor principal de desenvolvimento da ilha. Hoje em dia, a exploração de sal está reduzida ao mínimo, deixando lugar aos turistas que ali se encantam com os vestígios da natureza.
Aproveitei a ocasião para tomar o famoso banho nas salinas de Pedra de Lume. A quantidade de sal existente na água era de tal forma elevada que o meu corpo flutuava... o sal era, de facto, um óptimo hidratante e esfoliante para a pele.
Gostei particularmente deste local, de modo que passo a exibir algumas fotografias, que guardo para mais tarde recordar.










Efectivamente, ainda só tive a oportunidade de visitar uma ilha do arquipélago de Cabo Verde, o Sal, como já referi. Espero, no entanto, futuramente, visitar outras ilhas.
Antes de terminar, gostaria de deixar neste post um link, onde podem encontrar diversas informações, do meu ponto de vista interessantes, sobre Cabo Verde.

http://pt.wikipedia.org/wiki/Cabo_Verde

2006-01-20

A POESIA


O que é a poesia?



A Poesia é uma das sete artes tradicionais, através da qual a linguagem humana é utilizada com fins estéticos. O sentido da mensagem poética também pode ser importante (principalmente se o poema for em louvor de algo ou alguém, ou o contrário: também existe poesia satírica), ainda que seja a forma estética a definir um texto como poético.

http://pt.wikipedia.org/wiki/Poesia



"A poesia é a minha explicação com o universo, a minha convivência com as coisas, a minha participação no real, o meu encontro com as vozes e as imagens."
(Sophia de Mello Breyner Andresen)

"A poesia é uma hesitação prolongada entre o sentido e o som."

(Paul Valéry)

"A poesia é a expressão do “eu” por meio de metáforas."
(Massaud Moisés)

"Na poesia nada se perde. Na poesia o nada se cria e o nada se transforma".

(Lavoisier)









Mas afinal, o que é a poesia? O que é que eu entendo por poesia?

Ouvi dizer um dia que a poesia era um conjunto de obras em verso, escritas numa determinada língua ou próprias de uma determinada época, fazendo parte de uma corrente literária. Eu concordo, mas acho que a poesia é muito mais do que isso. A meu ver, a literatura, em geral, e a poesia, em particular, deveriam fugir à clássica divisão em artes e letras e deveriam ser consideradas como artes (tais a arquitectura, a escultura, a pintura, o cinema, a fotografia, a música, a dança,...).
Considero que a poesia é a “arte de fazer versos", que permite a expressão de total liberdade, na medida em que cabe ao poeta escolher e tratar os temas que muito bem entender. Este é o género privilegiado de afirmação do "eu" e da intensidade do sujeito, dado que emprega sistematicamente a 1.ª pessoa.
A poesia é uma arte expressa numa linguagem de dominância simbólica, utiliza um código linguístico que veicula determinadas ideias, cuja unidade é o verso, dando especial relevo a um texto polissémico servido, ao nível do significado, fundamentalmente, pela metáfora.
Gostaria de acrescentar que esta actividade artística é a tentativa de romper com as limitações que a vida nos impõe no dia-a-dia, ou seja, é uma forma de compensação que funciona como um alimento que fortifica a alma.

SL

Para terminar esta abordagem em torno da poesia, resolvi deixar neste espaço um poema... um poema de que gosto muito!



Há Palavras Que Nos Beijam

Há palavras que nos beijam
Como se tivessem boca,
Palavras de amor, de esperança,
De imenso amor, de esperança louca.

Palavras nuas que beijas
Quando a noite perde o rosto,
Palavras que se recusam
Aos muros do teu desgosto.

De repente coloridas
Entre palavras sem cor,
Esperadas, inesperadas
Como a poesia ou o amor.

(O nome de quem se ama
Letra a letra revelado
No mármore distraído,
No papel abandonado)

Palavras que nos transportam
Aonde a noite é mais forte,
Ao silêncio dos amantes
Abraçados contra a morte.


Alexandre O'Neill

2006-01-08

ATELIER DE ESCRITA

Pretendo que este blog funcione, também, como um Atelier de Escrita, isto é, um sítio onde eu possa colocar alguns textos, tendo como objectivo principal interagir com todos aqueles que tenham acesso a este espaço, que gostem de ler, escrever, comentar e sugerir.

Julgo que este lugar pode ser entendido como um espaço de partilha de ideias, pensamentos e sentimentos.

Desde já estão todos convidados: Participem activamente neste espaço como se estivessem na vossa casa!

Atenção, para fazerem comentários no meu blog têm de ser bloguistas!

Se ainda não são bloguistas, criem o vosso blog no blogspot!

Para começar, deixo aqui um texto que escrevi, no âmbito da disciplina Leitura Pública, do Curso Pós-Graduação em Ciências Documentais, do ISLA de Santarém. O professor mostrou à minha turma uma imagem com uma biblioteca destruída (Biblioteca de Holland Park, LONDRES 1940) e deixou no ar a questão: E DEPOIS DA BOMBA? De seguida, solicitou um trabalho individual, que consistia na elaboração de um texto criativo.

Tendo como ponto de partida a imagem e o título apresentados, elaborei o texto abaixo trancrito.


Biblioteca de Holland Park, LONDRES 1940

E DEPOIS DA BOMBA?

Naquela noite de luar, caminhava pelos passeios íngremes e poeirentos das ruas, perdida em pensamentos. O silêncio era vertiginoso e total, até ao momento em que cheguei junto da minha biblioteca… junto do que restava dela.
Eu não queria acreditar… dirigia-me para o abismo… caí inanimada e senti a agressividade da calçada. Os meus olhos cerraram-se suavemente durante alguns segundos; mas, pouco tempo depois, abriram-se levemente e, atordoada, procurei uma réstia de esperança. Esperava que tudo não passasse de um pesadelo, mas não, era tudo real. Era um pesadelo real! Tudo à minha volta morrera..
Que infortúnio! Soltei um ai de profunda consternação, com as mãos deitadas à cabeça. Um enorme sentimento de angústia apoderou-se de mim e gritei… gritei de fúria naquele momento… como poderia alguém destruir aquela biblioteca?!…
Sentia-me, mortalmente pálida, a arrastar o meu corpo frágil mas pesado de cansaço e dor, enquanto o incêndio alastrava cada vez mais e as enormes labaredas, implacáveis e infinitas, consumiam a biblioteca e a minha alma. E eu não podia fazer nada! Era tarde demais!… Senti o meu olhar gélido ao contemplar aquele inferno dantesco. E o vento… o vento assobiava baixinho uma melodia melancólica e triste, mirando o meu “eu” quase inexistente.
A chuva começou a cair lentamente… as pessoas abandonaram pouco a pouco o local do incêndio. A chuva começou a cair mais forte… a biblioteca ainda ardia. As pessoas corriam apressadas para fugir da chuva… a biblioteca já tinha ardido e não havia nada a fazer!… A chuva começou a cair ainda mais forte… e eu chorava… e com a minha face revolta tentava esconder a minha dor infinita e sublime.
Sentia-me sem significado… como se tivesse perdido a essência… sentia-me vulnerável e incapaz de agir, com o cérebro cansado e o coração destroçado. Precisava de ajuda… tinha necessidade de entender aquilo que tinha acontecido! Afastei-me daquele local!…
Lembrei-me que, um dia, alguém disse que a noite é a melhor conselheira que jamais houve, e jamais haverá, e que o silêncio ajuda a compreender as coisas que não se conseguem resolver… e eu procurava respostas… tinha de tomar decisões…
Pensei que, apesar de terem morto as palavras, uma a uma, de terem esfaqueado, com loucura, livros escritos… enfim, apesar de terem destruído aquela biblioteca, só um acto de braveza poderia mudar o rumo dos acontecimentos e estabelecer a ordem no meio daquele caos imensurável. Mas, o que fazer?…
Eis que de repente, uma força enorme se apoderou do meu ser, algo de inexplicável invadia o meu pensamento e murmurava: “És capaz de erguer de novo a biblioteca! Não desistas!” Levantei-me logo, ainda que debilmente, olhei confusa o infinito e ouvi o vento assobiar de novo, mas desta vez entoava uma melodia agreste e viva, capaz de fazer o sol raiar durante a noite. Era um sinal! E eu não podia ignorá-lo! Tinha de reagir! Tinha de fazer alguma coisa!
Amanheceu… voltei ao local do crime… o sol tornou-se implacável, com os seus raios chamejantes a causticarem os destroços da biblioteca. Vários transeuntes avançavam, carpindo tristezas, olhavam atónitos e desolados para a desgraça prostrada. Alguns, passando por entre os escombros, tentavam encontrar algo… folheavam livros… livros destruídos… como se tivessem a esperança de conseguir salvar qualquer coisa.
Que flagelo! Juntei-me à multidão e, num acto de loucura e de revolta, gritei:” Oh, injustiça tão gritante! Oh, crueldade tão atroz! Quem foi capaz de aniquilar esta instituição democrática de ensino, de cultura e de informação?! Quem fechou a porta de acesso local ao conhecimento?! Quem destruiu o centro local de informação?! Como podem sobreviver os terroristas do saber?! Onde está a compaixão da Humanidade?! Fiquem sabendo que enquanto eu viver não vão conseguir derrotar o saber! Sobre estas ruínas erguerei pilares e construirei uma nova biblioteca!…”
Abandonei aquele local e, no caminho para casa, pensava na perda de uma vida… na perda da colecção de livros que se encontrava naquela biblioteca… na minha biblioteca… cujo nome recordo com saudade! A revolta entranhou-se no meu ser e a indignação voltou a apoderar-se da minha alma, mas não deixei que me vencessem…
Passaram semanas e uma ideia fixa começou a crescer e a ganhar força a cada dia… tinha de delinear estratégias e envidar esforços no sentido de recuperar a biblioteca.
Toda a minha vida começou a ser dominada por essa obsessão e para onde quer que eu fosse pensava que, enquanto existisse uma pessoa que escrevesse, seria sempre possível constituir um depósito de livros. O livro… esse magnífico instrumento de permanente formação do leitor, a nível intelectual, moral, afectivo, estético!… O livro… que aumenta a experiência e desenvolve a capacidade de compreensão e expressão!… O livro… esse ser misterioso que desperta e estimula a imaginação… que fomenta e educa a sensibilidade… que provoca e orienta a reflexão… que alimenta, fortalece e enriquece… enfim, que cultiva a inteligência!…
E assim, exclamei: “Amanhã será outro dia!…” Depositei a esperança no futuro e deixei que a fé guiasse o meu sonho…

SL