INGLATERRA E ESCÓCIA: UMA VIAGEM INESQUECÍVEL!
Viajar é… ver o sol nascer, assistir ao pôr-do-sol, contemplar a lua, observar o brilho das estrelas, sentir o beijo da chuva, dançar com o vento, apreciar a neve, experimentar o calor do fogo, deleitar-se com o balanço das ondas do mar, abraçar a água que corre no rio, afagar a água do lago, brincar com a liberdade, …
Viajar é… conversar com outras pessoas, provar diferentes sabores, mudar de clima, descobrir novos lugares, ver diferentes paisagens, contemplar e admirar a beleza da paisagem ao nosso redor, venerar a exuberância da natureza, buscar novas experiências, procurar aventuras, desbravar fronteiras, superar limites, vencer o desconhecido, …
Viajar é fazer as pazes com o tempo!
Viajar é conviver com as estações do ano!
Viajar é viver!
Muitas vezes, viajamos através de histórias que ouvimos contar ou que lemos nos livros. Viajamos, também, por meio de imagens que vimos na televisão ou nas revistas. Mas, na verdade, precisamos de viajar por conta própria, com os nossos olhos e com os nossos pés, para entendermos o que é nosso e para valorizarmos o que nos pertence. Viajar para lugares que não conhecemos pode constituir um passo em frente rumo à sapiência, para quebrar a altivez que nos faz ver o mundo como o imaginamos, e não simplesmente como é ou pode ser. Como podemos falar daquilo que não vimos, quando deveríamos simplesmente fazer as malas e ir ver!?
Em Maio tive o privilégio de conhecer a Inglaterra e a Escócia.
Durante onze dias viajei por terras inglesas e escocesas.
Uma viagem extraordinária!
Estive cerca de quatro dias em Londres.
Londres seduz ao primeiro olhar, é uma cidade atraente, fascinante e hospitaleira, plena de contrastes, actividade, vida e cor. Esta cidade da Europa é a Capital da Inglaterra e do Reino Unido, está situada no Sudeste da Grã-Bretanha, nas margens do rio Tamisa. Com uma história extremamente rica, Londres proporciona ao visitante um diversificado leque de alternativas. A cidade é bastante agradável para longas caminhadas e passeios, pois jardins e parques não faltam. Mesmo em pleno coração de Londres situa-se o grandioso Hyde Park. Quanto aos pontos de interesse a visitar, destaco o Museu Britânico (British Museum), um dos maiores museus do mundo, o Museu de Cera Madame Tussaud, o Museu de História Natural, o Museu Victoria and Albert, a Queen's Gallery, o Big Ben, a Tower Bridge, a Torre de Londres, o Museu de História Natural, o Museu Victoria and Albert, a Queen's Gallery, o Palácio de Buckingham, o Palácio de St. James, o Palácio de Westminster, a Abadia de Westminster, a Catedral de Saint Paul, London Eye, Casas do Parlamento, Regent's Park, Regent Street, Picadilly Circus, Royal Albert Hall, entre outros.

Big Ben

Torre de Londres

Tower Bridge

Picadilly Circus

A Roda do Milénio (London Eye)

Fotografia tirada de cima da Roda do Milénio (London Eye)

Fotografia tirada de cima da Roda do Milénio (London Eye)

Fotografia tirada de cima da Roda do Milénio (London Eye)
Partimos de Londres em direcção à cidade universitária de Oxford. Visitámos a pé esta cidade, conhecida pelos seus antigos colégios e pela sua universidade, uma das mais antigas da Europa.
Continuámos a viagem para Stratford-upon-Avon, terra natal de William Shakespeare.
Em Chester efectuámos uma visita a pé pela cidade amuralhada.
Partimos de Chester em direcção a Liverpool, cidade natal de um dos mais famosos grupos pop do mundo: os Beatles.
No distrito de Lagos usufruímos de um paraíso propício ao turismo de montanha e um lugar de inspiração de poetas e escritores ingleses. Passámos pelo Lago Windermere e, de seguida, pelo Lago Grasmere, junto à fronteira com a Escócia. Continuámos em direcção a Gretna Green.
Em Glasgow aproveitámos para visitar a cidade. Partimos em direcção às “Terras Altas” passando pelas belas margens do “Lock Lomond”, o maior lago do interior da Escócia. Chegámos a Fort William, uma cidade que tem ao seu lado a montanha mais alta da Grã-Bretanha, Ben Nevis. As montanhas em redor de Fort William estão entre as mais impressionantes da Escócia.
Aproveitámos para tirar muitas fotografias, pois as paisagens são maravilhosas e irresistíveis.






Continuámos a viagem até ao misterioso Lago Ness, residência do lendário monstro conhecido carinhosamente como “Nessie”.


Seguimos em direcção a Iverness, Capital das “Terras Altas”. Passámos por Pitlochry, uma pequena povoação comercial das “Terras Altas”.
Visitámos uma destilaria de Whisky onde pudemos observar todo o processo de produção, bem como saborear esta famosa bebida.
Continuámos a nossa viagem até Callander.
Chegámos a Stirling, o centro da história da Escócia e o testemunho das grandes batalhas da guerra da independência, como a batalha de Stirling Bridge, a qual nos foi dada a conhecer através do filme Braveheart. Visitámos o castelo de Stirling, em que pudemos desfrutar de paisagens magníficas e invulgares.
Continuámos a viagem até Edimburgo, uma cidade fantástica, estupenda e encantadora que me deixou deslumbrada. Deixei-me seduzir por Edimburgo, uma cidade excepcional e imponente, uma das mais belas que já vi até hoje. O Palácio de Hollyrood, a Catedral de St.Giles e a Galeria Nacional da Escócia, entre outros, foram locais que tive a oportunidade de visitar e fotografar.





Partimos em direcção a Jedburgh, através das belas paisagens das “Terras Baixas”, uma pequena povoação fronteiriça que conserva os restos de uma importante abadia benedictina.
Continuámos a viagem até Durham, uma cidade histórica, onde visitámos uma bela e admirável catedral.
Saímos em direcção a York, uma cidade extraordinária de origem romana e com uma importante história ligada aos povos vickings e saxões. York é ainda uma das cidades património da Grã Bretanha cuja catedral é uma das maiores do Norte da Europa.
Visitámos uma destilaria de Whisky onde pudemos observar todo o processo de produção, bem como saborear esta famosa bebida.
Continuámos a nossa viagem até Callander.
Chegámos a Stirling, o centro da história da Escócia e o testemunho das grandes batalhas da guerra da independência, como a batalha de Stirling Bridge, a qual nos foi dada a conhecer através do filme Braveheart. Visitámos o castelo de Stirling, em que pudemos desfrutar de paisagens magníficas e invulgares.
Continuámos a viagem até Edimburgo, uma cidade fantástica, estupenda e encantadora que me deixou deslumbrada. Deixei-me seduzir por Edimburgo, uma cidade excepcional e imponente, uma das mais belas que já vi até hoje. O Palácio de Hollyrood, a Catedral de St.Giles e a Galeria Nacional da Escócia, entre outros, foram locais que tive a oportunidade de visitar e fotografar.





Partimos em direcção a Jedburgh, através das belas paisagens das “Terras Baixas”, uma pequena povoação fronteiriça que conserva os restos de uma importante abadia benedictina.
Continuámos a viagem até Durham, uma cidade histórica, onde visitámos uma bela e admirável catedral.
Saímos em direcção a York, uma cidade extraordinária de origem romana e com uma importante história ligada aos povos vickings e saxões. York é ainda uma das cidades património da Grã Bretanha cuja catedral é uma das maiores do Norte da Europa.
Catedral de York
Partimos em direcção a Cambridge que rivaliza com Oxford, quer na sua beleza e riqueza arquitectónicas, quer na sua parte educativa. Passeámos pelas ruas típicas de Cambridge e visitámos vários museus e colégios.


Regressámos a Londres.
No aeroporto de Heathrow, em Londres, apanhámos o avião rumo ao aeroporto da Portela, em Lisboa.
E assim voltámos ao nosso querido país, Portugal.
Eu adoro viajar!
O objectivo da viagem não é, decididamente, chegar a um lugar definido e atingir uma meta. A meu ver, o encanto da viagem reside na travessia. Afinal, o mais importante é o percurso, aquilo que vimos, conhecemos, apreendemos, sentimos e conseguimos descrever porque estivemos lá, e não porque imaginámos que era de determinada maneira. É claro que é bom sonhar, mas é muito melhor concretizar esse sonho.
"O real não está nem na saída nem na chegada: ele se impõe pra gente é no meio da travessia."
"O rios não querem chegar a nenhum lugar, eles só querem ficar mais largos e profundos."
(João Guimarães Rosa)
Dado que todos procuramos a felicidade, a realização pessoal e o equilíbrio, viajar transmite um sentimento de prazer e uma sensação de satisfação que nos apraz e que nos faz sentir bem com o mundo.
Considero, pois, que a vida tem mais sentido quando é transformada em dias de viagem.
E assim termino esta viagem, na expectativa de voltar em breve para relatar mais histórias. Despeço-me com um poema de Álvaro de Campos, do qual gosto muito, que aborda a temática da viagem.
AFINAL
Afinal, a melhor maneira de viajar é sentir.
Sentir tudo de todas as maneiras.
Sentir tudo excessivamente,
Porque todas as coisas são, em verdade, excessivas
E toda a realidade é um excesso, uma violência,
Uma alucinação extraordinariamente nítida
Que vivemos todos em comum com a fúria das almas,
O centro para onde tendem as estranhas forças centrífugas
Que são as psiques humanas no seu acordo de sentidos.
Quanto mais eu sinta, quanto mais eu sinta como várias pessoas,
Quanto mais personalidade eu tiver,
Quanto mais intensamente, estridentemente as tiver,
Quanto mais simultaneamente sentir com todas elas,
Quanto mais unificadamente diverso, dispersadamente atento,
Estiver, sentir, viver, for,
Mais possuirei a existência total do universo,
Mais completo serei pelo espaço inteiro fora.
Mais análogo serei a Deus, seja ele quem for,
Porque, seja ele quem for, com certeza que é Tudo,
E fora d'Ele há só Ele, e Tudo para Ele é pouco.
Cada alma é uma escada para Deus,
Cada alma é um corredor-Universo para Deus,
Cada alma é um rio correndo por margens de Externo
Para Deus e em Deus com um sussurro soturno.
Sursum corda! Erguei as almas! Toda a Matéria é Espírito,
Porque Matéria e Espírito são apenas nomes confusos
Dados à grande sombra que ensopa o Exterior em sonho
E funde em Noite e Mistério o Universo Excessivo!
Sursum corda! Na noite acordo, o silêncio é grande,
As coisas, de braços cruzados sobre o peito, reparam
Com uma tristeza nobre para os meus olhos abertos
Que as vê como vagos vultos nocturnos na noite negra.
Sursum corda! Acordo na noite e sinto-me diverso.
Todo o Mundo com a sua forma visível do costume
Jaz no fundo dum poço e faz um ruído confuso,
Escuto-o, e no meu coração um grande pasmo soluça.
Sursum corda! ó Terra, jardim suspenso, berço
Que embala a Alma dispersa da humanidade sucessiva!
Mãe verde e florida todos os anos recente,
Todos os anos vernal, estival, outonal, hiemal,
Todos os anos celebrando às mancheias as festas de Adónis
Num rito anterior a todas as significações,
Num grande culto em tumulto pelas montanhas e os vales!
Grande coração pulsando no peito nu dos vulcões,
Grande voz acordando em cataratas e mares,
Grande bacante ébria do Movimento e da Mudança,
Em cio de vegetação e florescência rompendo
Teu próprio corpo de terra e rochas, teu corpo submisso
A tua própria vontade transtornadora e eterna!
Mãe carinhosa e unânime dos ventos, dos mares, dos prados,
Vertiginosa mãe dos vendavais e ciclones,
Mãe caprichosa que faz vegetar e secar,
Que perturba as próprias estações e confunde
Num beijo imaterial os sóis e as chuvas e os ventos!
Sursum corda! Reparo para ti e todo eu sou um hino!
Tudo em mim como um satélite da tua dinâmica intima
Volteia serpenteando, ficando como um anel
Nevoento, de sensações reminescidas e vagas,
Em torno ao teu vulto interno, túrgido e fervoroso.
Ocupa de toda a tua força e de todo o teu poder quente
Meu coração a ti aberto!
Como uma espada traspassando meu ser erguido e extático,
Intersecciona com meu sangue, com a minha pele e os meus nervos,
Teu movimento contínuo, contíguo a ti própria sempre,
Sou um monte confuso de forças cheias de infinito
Tendendo em todas as direcções para todos os lados do espaço,
A Vida, essa coisa enorme, é que prende tudo e tudo une
E faz com que todas as forças que raivam dentro de mim
Não passem de mim, nem quebrem meu ser, não partam meu corpo,
Não me arremessem, como uma bomba de Espírito que estoira
Em sangue e carne e alma espiritualizados para entre as estrelas,
Para além dos sóis de outros sistemas e dos astros remotos.
Tudo o que há dentro de mim tende a voltar a ser tudo.
Tudo o que há dentro de mim tende a despejar-me no chão,
No vasto chão supremo que não está em cima nem embaixo
Mas sob as estrelas e os sóis, sob as almas e os corpos
Por uma oblíqua posse dos nossos sentidos intelectuais.
Sou uma chama ascendendo, mas ascendo para baixo e para cima,
Ascendo para todos os lados ao mesmo tempo, sou um globo
De chamas explosivas buscando Deus e queimando
A crosta dos meus sentidos, o muro da minha lógica,
A minha inteligência limitadora e gelada.
Sou uma grande máquina movida por grandes correias
De que só vejo a parte que pega nos meus tambores,
O resto vai para além dos astros, passa para além dos sóis,
E nunca parece chegar ao tambor donde parte ...
Meu corpo é um centro dum volante estupendo e infinito
Em marcha sempre vertiginosamente em torno de si,
Cruzando-se em todas as direcções com outros volantes,
Que se entrepenetram e misturam, porque isto não é no espaço
Mas não sei onde espacial de uma outra maneira-Deus.
Dentro de mim estão presos e atados ao chão
Todos os movimentos que compõem o universo,
A fúria minuciosa e dos átomos,
A fúria de todas as chamas, a raiva de todos os ventos,
A espuma furiosa de todos os rios, que se precipitam,
A chuva com pedras atiradas de catapultas
De enormes exércitos de anões escondidos no céu.
Sou um formidável dinamismo obrigado ao equilíbrio
De estar dentro do meu corpo, de não transbordar da minh'alma.
Ruge, estoira, vence, quebra, estrondeia, sacode,
Freme, treme, espuma, venta, viola, explode,
Perde-te, transcende-te, circunda-te, vive-te, rompe e foge,
Sê com todo o meu corpo todo o universo e a vida,
Arde com todo o meu ser todos os lumes e luzes,
Risca com toda a minha alma todos os relâmpagos e fogos,
Sobrevive-me em minha vida em todas as direcções!
(Álvaro de Campos)
Partimos em direcção a Cambridge que rivaliza com Oxford, quer na sua beleza e riqueza arquitectónicas, quer na sua parte educativa. Passeámos pelas ruas típicas de Cambridge e visitámos vários museus e colégios.


Regressámos a Londres.
No aeroporto de Heathrow, em Londres, apanhámos o avião rumo ao aeroporto da Portela, em Lisboa.
E assim voltámos ao nosso querido país, Portugal.
Eu adoro viajar!
O objectivo da viagem não é, decididamente, chegar a um lugar definido e atingir uma meta. A meu ver, o encanto da viagem reside na travessia. Afinal, o mais importante é o percurso, aquilo que vimos, conhecemos, apreendemos, sentimos e conseguimos descrever porque estivemos lá, e não porque imaginámos que era de determinada maneira. É claro que é bom sonhar, mas é muito melhor concretizar esse sonho.
"O real não está nem na saída nem na chegada: ele se impõe pra gente é no meio da travessia."
"O rios não querem chegar a nenhum lugar, eles só querem ficar mais largos e profundos."
(João Guimarães Rosa)
Dado que todos procuramos a felicidade, a realização pessoal e o equilíbrio, viajar transmite um sentimento de prazer e uma sensação de satisfação que nos apraz e que nos faz sentir bem com o mundo.
Considero, pois, que a vida tem mais sentido quando é transformada em dias de viagem.
E assim termino esta viagem, na expectativa de voltar em breve para relatar mais histórias. Despeço-me com um poema de Álvaro de Campos, do qual gosto muito, que aborda a temática da viagem.
AFINAL
Afinal, a melhor maneira de viajar é sentir.
Sentir tudo de todas as maneiras.
Sentir tudo excessivamente,
Porque todas as coisas são, em verdade, excessivas
E toda a realidade é um excesso, uma violência,
Uma alucinação extraordinariamente nítida
Que vivemos todos em comum com a fúria das almas,
O centro para onde tendem as estranhas forças centrífugas
Que são as psiques humanas no seu acordo de sentidos.
Quanto mais eu sinta, quanto mais eu sinta como várias pessoas,
Quanto mais personalidade eu tiver,
Quanto mais intensamente, estridentemente as tiver,
Quanto mais simultaneamente sentir com todas elas,
Quanto mais unificadamente diverso, dispersadamente atento,
Estiver, sentir, viver, for,
Mais possuirei a existência total do universo,
Mais completo serei pelo espaço inteiro fora.
Mais análogo serei a Deus, seja ele quem for,
Porque, seja ele quem for, com certeza que é Tudo,
E fora d'Ele há só Ele, e Tudo para Ele é pouco.
Cada alma é uma escada para Deus,
Cada alma é um corredor-Universo para Deus,
Cada alma é um rio correndo por margens de Externo
Para Deus e em Deus com um sussurro soturno.
Sursum corda! Erguei as almas! Toda a Matéria é Espírito,
Porque Matéria e Espírito são apenas nomes confusos
Dados à grande sombra que ensopa o Exterior em sonho
E funde em Noite e Mistério o Universo Excessivo!
Sursum corda! Na noite acordo, o silêncio é grande,
As coisas, de braços cruzados sobre o peito, reparam
Com uma tristeza nobre para os meus olhos abertos
Que as vê como vagos vultos nocturnos na noite negra.
Sursum corda! Acordo na noite e sinto-me diverso.
Todo o Mundo com a sua forma visível do costume
Jaz no fundo dum poço e faz um ruído confuso,
Escuto-o, e no meu coração um grande pasmo soluça.
Sursum corda! ó Terra, jardim suspenso, berço
Que embala a Alma dispersa da humanidade sucessiva!
Mãe verde e florida todos os anos recente,
Todos os anos vernal, estival, outonal, hiemal,
Todos os anos celebrando às mancheias as festas de Adónis
Num rito anterior a todas as significações,
Num grande culto em tumulto pelas montanhas e os vales!
Grande coração pulsando no peito nu dos vulcões,
Grande voz acordando em cataratas e mares,
Grande bacante ébria do Movimento e da Mudança,
Em cio de vegetação e florescência rompendo
Teu próprio corpo de terra e rochas, teu corpo submisso
A tua própria vontade transtornadora e eterna!
Mãe carinhosa e unânime dos ventos, dos mares, dos prados,
Vertiginosa mãe dos vendavais e ciclones,
Mãe caprichosa que faz vegetar e secar,
Que perturba as próprias estações e confunde
Num beijo imaterial os sóis e as chuvas e os ventos!
Sursum corda! Reparo para ti e todo eu sou um hino!
Tudo em mim como um satélite da tua dinâmica intima
Volteia serpenteando, ficando como um anel
Nevoento, de sensações reminescidas e vagas,
Em torno ao teu vulto interno, túrgido e fervoroso.
Ocupa de toda a tua força e de todo o teu poder quente
Meu coração a ti aberto!
Como uma espada traspassando meu ser erguido e extático,
Intersecciona com meu sangue, com a minha pele e os meus nervos,
Teu movimento contínuo, contíguo a ti própria sempre,
Sou um monte confuso de forças cheias de infinito
Tendendo em todas as direcções para todos os lados do espaço,
A Vida, essa coisa enorme, é que prende tudo e tudo une
E faz com que todas as forças que raivam dentro de mim
Não passem de mim, nem quebrem meu ser, não partam meu corpo,
Não me arremessem, como uma bomba de Espírito que estoira
Em sangue e carne e alma espiritualizados para entre as estrelas,
Para além dos sóis de outros sistemas e dos astros remotos.
Tudo o que há dentro de mim tende a voltar a ser tudo.
Tudo o que há dentro de mim tende a despejar-me no chão,
No vasto chão supremo que não está em cima nem embaixo
Mas sob as estrelas e os sóis, sob as almas e os corpos
Por uma oblíqua posse dos nossos sentidos intelectuais.
Sou uma chama ascendendo, mas ascendo para baixo e para cima,
Ascendo para todos os lados ao mesmo tempo, sou um globo
De chamas explosivas buscando Deus e queimando
A crosta dos meus sentidos, o muro da minha lógica,
A minha inteligência limitadora e gelada.
Sou uma grande máquina movida por grandes correias
De que só vejo a parte que pega nos meus tambores,
O resto vai para além dos astros, passa para além dos sóis,
E nunca parece chegar ao tambor donde parte ...
Meu corpo é um centro dum volante estupendo e infinito
Em marcha sempre vertiginosamente em torno de si,
Cruzando-se em todas as direcções com outros volantes,
Que se entrepenetram e misturam, porque isto não é no espaço
Mas não sei onde espacial de uma outra maneira-Deus.
Dentro de mim estão presos e atados ao chão
Todos os movimentos que compõem o universo,
A fúria minuciosa e dos átomos,
A fúria de todas as chamas, a raiva de todos os ventos,
A espuma furiosa de todos os rios, que se precipitam,
A chuva com pedras atiradas de catapultas
De enormes exércitos de anões escondidos no céu.
Sou um formidável dinamismo obrigado ao equilíbrio
De estar dentro do meu corpo, de não transbordar da minh'alma.
Ruge, estoira, vence, quebra, estrondeia, sacode,
Freme, treme, espuma, venta, viola, explode,
Perde-te, transcende-te, circunda-te, vive-te, rompe e foge,
Sê com todo o meu corpo todo o universo e a vida,
Arde com todo o meu ser todos os lumes e luzes,
Risca com toda a minha alma todos os relâmpagos e fogos,
Sobrevive-me em minha vida em todas as direcções!
(Álvaro de Campos)

