Sissi

2006-09-24

ORIGEM DO TERMO BIBLIOTECA. CONCEITO. CONTEXTUALIZAÇÃO HISTÓRICA. EVOLUÇÃO DA BIBLIOTECA PÚBLICA EM PORTUGAL.

Do grego bibliothéke, «depósito de livros».

Do latim bibliothôca, «biblioteca».

Nos nossos dias, encontramos várias definições possíveis para o conceito biblioteca.
Segundo o Dicionário do Livro, entende-se por biblioteca:
"Qualquer colecção organizada de livros e de publicações em série e impressos ou de quaisquer documentos gráficos ou audiovisuais disponíveis para empréstimo, consulta ou estudo, criada com determinados fins de utilidade pública ou privada”.

Na verdade, é curioso verificar que para existirem as bibliotecas foi necessário aparecerem os livros, mas para existirem os livros foi necessário aparecer a escrita.

A escrita mais antiga, cuja existência remonta aos primórdios da humanidade, é a ideográfica, que consistia na representação gráfica de ideias. Os suportes da escrita mais antigos terão sido a pedra (6000 anos AC.), o osso (1500 anos AC.), as placas de madeira encerada, o barro (3000 AC.), as folhas de palmeira, linho e papiro (3500 AC.). No séc. III AC., surge o pergaminho.

Temos, igualmente, conhecimento das inscrições sobre argila cozida, encontradas nas ruínas de antigas cidades como a Babilónia e Assíria, na Mesopotâmia (escrita cuneiforme). No séc. II surgiram as letras maiúsculas romanas. Com o declínio da influência romana no séc. VI, desenvolveram-se várias caligrafias ou estilos de letras nacionais. As minúsculas carolinas surgiram na época de Carlos Magno e somente no séc. XIV apareceu a chamada escrita gótica. Em Itália desenvolveu-se a escrita humanística, da qual derivou a escrita moderna. Tanto no Egipto como em todo o mundo antigo do mediterrâneo, o papiro foi utilizado durante muito tempo como suporte de escrita. No século IV D.C., o pergaminho tornou-se o suporte principal da escrita na Europa.

No séc. II da nossa era surgiu o «codex», considerado o antepassado do livro. O «codex» era um livro de folhas separadas, por oposição ao «liber».

O aparecimento do papel, em princípios da Idade Média, foi o passo seguinte na evolução da escrita. A partir de meados do séc.XVI, o papel substitui o pergaminho quase inteiramente, após a imprensa ter utilizado ambos como suporte da escrita.

Segundo Jorge Peixoto, o livro é um “conjunto de folhas de papel ou de pergaminho, manuscritas ou impressas e ainda em branco, cosidas ou encadernadas com papel ou papelão, pergaminho ou pele, ou madeira, formando um todo que constituiu certo volume”.

Quanto à reprodução dos livros na antiguidade, sabemos que uma vez concluída a obra, o original passava às mãos do editor livreiro, que por sua conta ou por conta do autor o mandava copiar. Terminadas as cópias, os exemplares eram revistos e faziam-se os acabamentos, como colorir as iniciais dos parágrafos e colar as folhas.

No séc. III, a regra de S. Pacómio ordenava aos monges que que se dedicassem à cópia dos manuscritos. Cassiodoro e Boécio dedicaram-se à cópia de bons livros, no séc. VI. Com o aparecimento das grandes universidades, no séc. XIII, constituem-se as oficinas laicas de copistas, inaugurando-se a indústria e comércio regular do livro, na Idade Média. Guttemberg foi um avanço técnico que possibilitou a multiplicação, difusão e vulgarização dos impressos e livros. A invenção de máquinas de escrever no séc. XIX facilitou o trabalho de composição.

As primeiras bibliotecas surgiram na Mesopotâmia, em 3000 A.C., as quais tinham a responsabilidade de guardar e manusear o material escrito. Encontramos uma referência à existência de biblioteca pública, entre os gregos do período clássico. A mais famosa biblioteca da antiguidade – a de Alexandria – surgiu no período helenístico, de expansão comercial e política. A biblioteca propriamente dita tinha uma sala de leitura, uma oficina de copistas e um arquivo oficial para documentação. Em 24 A.C., Estrabão descreve-a como um cenáculo erudito, “destinado aos homens de letras que trabalhavam na biblioteca”.

O Império Romano implementou bibliotecas, fomentou o comércio de livros e criou um grande número de bibliotecas particulares. Com o declínio deste império, a expansão bibliográfica verificada em Roma sofre uma interrupção.

Com o aparecimento de grandes universidades no séc. XIII, surgem as bibliotecas dos colégios e universidades. Nos sécs. XIV e XV surgiu a ideia de que as bibliotecas deveriam ser locais de estudo e de reflexão, que tivessem, para além de livros, um ambiente propício ao desenvolvimento de actividades intelectuais. Mais tarde, Melvil Dewey afirmou que a biblioteca pública não era apenas uma reserva mas sim uma fonte.

Relativamente ao caso português, julgo importante fazer uma análise à forma como as bibliotecas públicas evoluíram no nosso país.

Na segunda metade do séc. XVIII, durante o reinado de D. José (1750/1777), Portugal sofreu profundas transformações pela mão do ministro Marquês de Pombal. As reformas educativas, tais como a reforma da universidade, a proliferação das academias, o aumento da actividade editorial e a criação de bibliotecas em estabelecimentos de ensino, marcaram decisivamente este período.

Em1796 surge a primeira biblioteca pública portuguesa - Real Biblioteca Pública da Corte, cujo objectivo principal da rainha D. Maria I visava a promoção da literatura portuguesa.

Por iniciativa do bispo D. Manuel do Cenáculo, em 1815, surgiu a Biblioteca Pública de Évora. Em 1834, com o triunfo das ideias liberais, assistimos ao aparecimento de diversas bibliotecas públicas em todo o país, no Porto (1833), em Vila Real (1839), em Braga (1841) e em Ponta Delgada (1845).

As Bibliotecas Populares foram criadas por D. António da Costa em 1870. Pretendia-se implementar bibliotecas em todas as sedes concelhias, de modo que os livros pudessem desenvolver os conhecimentos das classes populares. A leitura era gratuita e domiciliária, mas o seu impacto junto da população não foi grande.

Com a Proclamação da República Portuguesa em 1910, as bibliotecas assumem um papel fundamental no combate à ignorância e na tentativa de democratizar a cultura. Ensinar, informar e distrair são três objectivos que se pretendiam atingir. Em 1926, instala-se a ditadura no nosso país. Neste contexto, o papel das bibliotecas é condicionado pela censura e pelas restrições à liberdade de pensamento e de expressão. Restringe-se o acesso à leitura e à informação, pois segundo a legislação salazarista as bibliotecas tinham como objectivo principal a conservação do património bibliográfico.

A Fundação Calouste Gulbenkian, instituição privada criada em 1958, desenvolveu a sua rede de bibliotecas itinerantes e fixas. Embora com alguns condicionalismos, conseguiu-se que o livro chegasse ao leitor nos mais longínquos pontos do país.

Com o 25 de Abril de 1974, conquistou-se a liberdade, consolidou-se a democracia e constatou-se a existência da problemática da leitura pública. Em 1983, surgiu o Manifesto sobre a Leitura Pública em Portugal, que fez uma análise profunda à situação em que se encontravam as bibliotecas públicas. Na verdade, a taxa de analfabetismo era elevadíssima e os hábitos de leitura dos portugueses traduziam-se em índices alarmantes, de modo que esta situação só poderia ser resolvida com a criação de uma rede de bibliotecas públicas.

Entre 1984 e 1987 criaram-se bases necessárias para a criação de uma rede nacional de leitura pública, com os esforços da Secretaria de Estado da Cultura, da BAD, do IPL e de alguns municípios. O programa assentava numa partilha de responsabilidades entre o Estado e as autarquias, em que o primeiro surge como o promotor e o garante de uma nova política para o sector, enquanto que as autarquias eram os protagonistas mais directos e interessados das acções a desenvolver.

Neste contexto, o Estado, através do Instituto Português do Livro e da Leitura, comprometia-se a prestar apoio técnico e financeiro às autarquias interessadas em criarem as suas bibliotecas, desde que estas cumprissem determinadas directivas em termos de áreas funcionais, composição dos fundos documentais, contratação de pessoal especializado, organização e funcionamento da biblioteca (secções para adultos, crianças e de audiovisuais, livre acesso, empréstimo, actividades de animação, etc.). O apoio financeiro traduzia-se na comparticipação em 50%, a fundo perdido, dos custos totais da obra, consagrados em contratos-programa que se referem à construção ou adaptação de instalações, compra de mobiliário e equipamento, bem como aquisição de fundos documentais em diversos suportes.

No âmbito do programa da rede de bibliotecas, entre 1987 e 1995 já tínhamos 51 bibliotecas a funcionar em todo o país (Abrantes, Beja, Cantanhede, Mirandela, Ponte de Lima,…) e setenta e três em construção em diversas localidades. As bibliotecas municipais encontram-se instaladas em edifícios construídos de raiz ou adaptados para o efeito. O seu interior é acolhedor e atractivo, o mobiliário moderno e funcional, o acesso à informação é fácil, os fundos documentais existem nos mais diversos suportes, o pessoal é atento e informado. É possível conhecer a documentação existente, visitar exposições, assistir a espectáculos, participar em debates, conferências e encontros com escritores.

De acordo com o Manifesto da UNESCO (1994) «A biblioteca pública é a porta de acesso local ao conhecimento e à informação, proporcionando as condições básicos para uma aprendizagem contínua, para uma tomada de decisão independente e para o desenvolvimento cultural dos indivíduos e dos grupos sociais».

SL

2006-09-18

AS BIBLIOTECAS PÚBLICAS: O QUE SÃO? PARA QUE SERVEM?


AS BIBLIOTECAS PÚBLICAS: O QUE SÃO? PARA QUE SERVEM?

Numa perspectiva de debater o tema acima questionado, pretendo começar por apresentar alguns excertos, retirados do livro A Biblioteca, de Humberto Eco, no qual o autor faz uma dissertação sobre o papel que a biblioteca assume na sociedade em que vivemos.

“… um dos mal-entendidos que dominam a noção de biblioteca é o facto de se pensar que se vai à biblioteca pedir um livro cujo título se conhece. Na verdade acontece muitas vezes ir-se à biblioteca porque se quer um livro cujo título se conhece, mas a principal função da biblioteca, pelo menos a função da de minha casa ou da de qualquer amigo que possamos ir visitar, é de descobrir livros cuja existência não se suspeitava e que, todavia se revelam extremamente importantes para nós.

… a função ideal de uma biblioteca é de ser um pouco como a loja de um alfarrabista, algo onde se podem fazer verdadeiros achados, e esta função só pode ser permitida por meio do livre acesso aos corredores das estantes.

… se a biblioteca é, como pretende Borges, um modelo do Universo, tentemos transformá-la num universo à medida dos homens e, volto a recordar, à medida do homem quer também dizer alegre, com a possibilidade de se tomar um café, com a possibilidade de dois estudantes numa tarde se sentarem num maple e, não digo de se entregarem a um amplexo indecente, mas de consumarem parte do seu “flirt” na biblioteca, enquanto retiram ou voltam a pôr nas estantes alguns livros de interesse cientifico, isto é, uma biblioteca onde apeteça ir, e que se vá transformando gradualmente numa grande máquina de tempos livres…”

ECO, Humberto, A Biblioteca


O Manifesto da UNESCO sobre as Bibliotecas Públicas, publicado em 1949 e revisto em 1972, torna-se o texto de referência para os profissionais e para os responsáveis das bibliotecas públicas. As bibliotecas vão ser definidas como instituições democráticas de ensino, de cultura e de informação.

Em 1994, com a Revisão do Manifesto da UNESCO, a biblioteca pública, que em 1972 era uma instituição democrática de ensino, de cultura e de informação, é agora "porta de acesso local ao conhecimento", e "centro local de informação“.

A biblioteca pública, no sentido que o Manifesto da UNESCO deu a este conceito, resulta numa instituição activa “aberta a todos os membros da comunidade, sem distinção de raça, cor, nacionalidade, idade, religião, língua, situação social ou nível de instrução”.

Esta instituição deve funcionar com os objectivos de contribuir para assegurar a qualidade de vida dos cidadãos em geral e da comunidade envolvente em particular, em todos os seus aspectos - educativos, económicos, industriais, científicos e culturais, e fomentar a ideia de uma sociedade democrática, através da observância contínua e permanente de objectivos de educação, informação, cultura e lazer.

Por um lado, a biblioteca pública deve promover e fornecer meios para o autodesenvolvimento do indivíduo/grupo, independentemente do seu nível de educação; por outro lado, deve tentar eliminar barreiras entre os indivíduos e os conhecimentos. Deve, também, fornecer informações correctas, com rapidez e em profundidade, particularmente sobre assuntos de interesse corrente.

Relativamente ao aspecto cultural, a biblioteca terá de ser um dos principais centros da vida cultural e deverá promover uma maior fruição, prazer e apreciação de todas as artes. Terá também de participar no encorajamento à utilização positiva do lazer e facultar meios de mudança e descontracção.

Face à sociedade da informação, refiro-me ao novo ambiente informacional e tecnológico, bem como à sua permanente evolução, a biblioteca enfrenta novas realidades a vários níveis. Este novo ambiente acarreta acrescidas exigências e responsabilidades, tanto a nível financeiro como a nível organizacional e técnico. No entanto, as funções actuais da biblioteca pública não são muito diferentes das que constituem a sua herança, o contexto é que é diferente, daí que as filosofias de funcionamento a implementar devam ser renovadas e adequadas à sociedade em que vivemos.

Actualmente, a diversidade dos suportes de informação e o aumento dos volumes de informação a tratar, levam à generalização do uso das novas tecnologias nas Bibliotecas de Leitura Pública, impondo uma certa adaptação dos recursos humanos a novas competências ligadas a técnicas de organização, identificação, catalogação, classificação e indexação dos fundos documentais a esta nova realidade electrónica. Com a Rede Informática de Leitura Pública e a consequente modernização da biblioteca, espera-se não só melhorar o serviço público como os serviços internos.

Do meu ponto de vista, a biblioteca deve ser um lugar onde o utilizador pode obter informações ou recursos de conhecimento, que podem existir na biblioteca ou podem ser obtidos através dela (se localizados, por exemplo, noutra biblioteca) ou ainda que podem ser encontrados na rede. De facto, os serviços de rede na biblioteca e o uso de recursos distribuídos são fenómenos relativamente recentes com que muitos utilizadores não se encontram familiarizados, pelo que existe actualmente uma necessidade especial de aumentar o apoio que lhes é disponibilizado nesta área.

Parece-me, por conseguinte, que o utilizador espera da biblioteca mais do que o apoio na identificação de materiais relacionados com a informação de que necessita, espera também que os materiais recuperados sejam realmente relevantes e pertinentes ao mais alto nível de qualidade para as suas necessidades.

Considero que as bibliotecas públicas, pela sua dimensão e pela extensão do contexto em que se integram, sentem dificuldades em dar uma resposta rápida e adequada aos seus utilizadores, pois não têm um público preferencial, têm todos os públicos, daí a necessidade de conhecer bem a comunidades em que se inserem. As TIC podem, no entanto, dar resposta às necessidades individuais, às exigências e ao novo perfil do utilizador.

Tendo em vista a satisfação das necessidades da sua comunidade, a biblioteca pública proporciona um vasto leque de serviços, como por exemplo o acesso às grandes colecções de materiais impressos dentro do edifício da biblioteca. No entanto, este serviço poderia ser disponibilizado ao público para além das paredes da biblioteca.

Por um lado, com a evolução do sistema global de informação, o surto das novas tecnologias de informação e comunicação, a rápida produção e disseminação de informação e documentos digitais, já permite levar os serviços da biblioteca e de informação directamente ao domicílio e ao local de trabalho do utilizador. Por outro lado, existem diversas formas de transporte que poderiam permitir a oferta de serviços de biblioteca e informação a pessoas que se encontram impossibilitadas de frequentar a biblioteca, garantindo a todas as pessoas o acesso a esses serviços.

Outra questão que considero importante abordar, prende-se com os edifícios onde as bibliotecas públicas estão instaladas, os quais devem ser planeados tendo em conta a oferta de serviços. Por um lado, devem ser acessíveis a todos os membros da comunidade e flexíveis para integrarem serviços novos e em transformação; por outro, devem localizar-se nas imediações de estabelecimentos comerciais e centros culturais. Gostaria de acrescentar que o interior das bibliotecas públicas deve ser acolhedor e atractivo, o mobiliário moderno e funcional, o acesso à informação fácil, quer se encontrem instaladas em edifícios construídos de raiz, quer em edifícios adaptados para o efeito.

Para benefício de toda a comunidade, o edifício da biblioteca deve ser gerido de forma eficiente pelo bibliotecário, fazendo o melhor uso possível das instalações, isto é, a biblioteca deverá estar disponível para encontros, exposições e outras actividades.

Uma biblioteca pública tem como missões essenciais seleccionar, coligir e organizar informação, no sentido de ser disponibilizada à comunidade, sem descurar a sua preservação. Deve existir a preocupação com a colecção, manutenção, actualização, selecção e aquisição de fundos documentais nos mais diversos suportes, bem como a sua disponibilização ao público e o livre acesso. Deste modo, terá de ter recursos humanos que tenham recebido formação técnica adequada, que sejam atentos e informados, que frequentem acções de formação, que sintam a preocupação em conhecer os interesses da comunidade envolvente e em satisfazer as necessidades dos seus utilizadores.

Todos nós sabemos que as bibliotecas públicas tornaram-se mais dispendiosas, necessitando do apoio do governo para a obtenção de fundos. Surgem, assim, problemas de financiamento que se prendem com questões relacionadas com decisões, perspectivas e agendas políticas. Neste contexto, em minha opinião, as bibliotecas devem trabalhar no sentido de conseguir os fundos públicos adequados mas, como estes não são suficientes, devem encorajar-se as parcerias, procurar apoio na comunidade e trabalhar com outros organismos, sejam eles públicos ou privados.

As bibliotecas públicas devem ser implementadas em qualquer ponto do país, como factor imprescindível de desenvolvimento das populações. O seu acesso deve ser livre e gratuito, as suas colecções e informação de elevada qualidade, adequada às necessidades da comunidade e às condições locais, livres de censura, reflectindo as tendências actuais e a evolução da sociedade. O sucesso destas instituições depende vários factores, entre os quais destaco a renovação e actualização dos fundos bibliográficos, a progressiva introdução das novas tecnologias e a qualidade do seu pessoal técnico.

No fundo, a biblioteca deve estar organizada de forma o mais eficaz possível com o objectivo de dar uma resposta “democrática” e descentralizada às necessidades de todos os que pretendem informar-se, instruir-se, ou ocupar os seus tempos livres.

Do meu ponto de vista, a biblioteca enfrenta novos desafios com a emergência da sociedade da informação, sofrendo profundas transformações ligadas à presença crescente das novas tecnologias de informação e comunicação. No entanto, estes desafios podem constituir, a meu ver, a oportunidade das bibliotecas se tornarem cada vez mais importante na vida das pessoas.

Gostaria de terminar da mesma forma como comecei, isto é, invocando Umberto Eco. A meu ver, o livro A Biblioteca termina de uma forma genial, não só porque faz referência a ideias, de extrema importância, contidas no Manifesto da UNESCO, como também nos deixa uma interrogação final que podemos entender como um desafio para perspectivar o futuro.

“Sei que a UNESCO concorda comigo: «A biblioteca… deve ser de fácil acesso e as suas portas devem estar abertas a todos os membros da comunidade, que poderão usá-la livremente, sem distinções de raça, de cor, de nacionalidade, de idade, de sexo, de religião de língua, de estado civil ou de nível cultural». Uma ideia revolucionária. E a referência ao nível cultural pressupõe igualmente uma acção de educação, de apoio e de preparação. E mais: “O edifício onde está situada a biblioteca pública deve ser central, de fácil acesso mesmo para os inválidos e estar aberta a horas viáveis para toda a gente. Tanto o edifício em si como o seu mobiliário devem ser de aspecto agradável, confortáveis e acolhedores; e é essencial que os leitores possam ter acesso directo às estantes». Será que vamos conseguir transformar esta utopia em realidade?”

Até breve!

Saudações biblioteconómicas!!

SL

2006-09-14

CIÊNCIAS DOCUMENTAIS

Em Julho de 2006, terminei o Curso de Pós-Graduação em Ciências Documentais, opção Biblioteca e Documentação.

Após percorrer um longo e árduo caminho, sinto-me, efectivamente, orgulhosa! Orgulhosa e feliz!

Pretendia apresentar alguns agradecimentos. Agradeço, especialmente, à minha família e aos meus amigos pelo apoio incondicional que me deram durante este curso. Agradeço, também, aos meus professores do curso Pós-graduação em Ciências Documentais, do ISLA de Santarém, pelos conhecimentos transmitidos. No fundo, agradeço, a todos aqueles que, de forma directa ou indirecta, contribuíram para que fosse possível a realização deste curso, tendo sido factível a minha chegada à fase do estágio, a apresentação do trabalho final e, por conseguinte, a conclusão deste curso com aproveitamento.

Na verdade, este curso exigiu muito esforço, trabalho e dedicação, muitas noites perdidas e outras mal dormidas, muitos fins-de-semana, feriados e férias em casa a estudar e a elaborar trabalhos académicos. É que a vida de um trabalhador-estudante não é fácil!

E o balanço que faço? O balanço que faço é positivo, é muito positivo, pois considero que aprendi muito e que, hoje, sei mais do que sabia antes de iniciar esta Pós-Graduação. Todos conhecemos o ditado popular “o saber não ocupa lugar”. De facto, o saber é uma mais-valia, valoriza o ser humano e torna-o, a meu ver, mais hábil para encarar a vida e lidar com a subjectividade.

Concordo com Marcus Cícero quando, em Disputas Tusculanas, se refere à vantagem do saber: “Não existe ocupação tão agradável como o saber; o saber é o meio de nos dar a conhecer, ainda neste mundo, o infinito da matéria, a imensa grandeza da Natureza, os céus, as terras e os mares. O saber ensinou-nos a piedade, a moderação, a grandeza do coração; tira-nos as nossas almas das trevas e mostra-nos todas as coisas, o alto e o baixo, o primeiro, o último e tudo aquilo que se encontra no meio; o saber dá-nos os meios de viver bem e felizmente; ensina-nos a passar as nossas vidas sem descontentamento e sem vexames”.

Julgo que nunca devemos desistir de investir em nós próprios, pois o conhecimento aumenta a confiança e a determinação, mas, acima de tudo, engrandece o nosso potencial. Mas, atenção, convém não esquecer que a motivação é, indubitavelmente, o motor de arranque para avançar em busca dos nossos sonhos.

E como dizia António Gedeão, no poema “A Pedra Filosofal”:

“Eles não sabem, nem sonham,
que o sonho comanda a vida.
Que sempre que um homem sonha
o mundo pula e avançacomo bola colorida
entre as mãos de uma criança”.

Gostaria de referir que, no âmbito do Curso de Pós-Graduação em Ciências Documentais, opção Biblioteca e Documentação, efectuei um estágio na Biblioteca Municipal António Botto, onde exerço a minha actividade profissional há mais de dois anos.

Aproveito esta ocasião para agradecer ao Chefe de Divisão de Bibliotecas e Arquivos do Município de Abrantes, que é o bibliotecário responsável pela Biblioteca Municipal António Botto, Dr. Francisco Lopes, pelo tempo que disponibilizou ao meu estágio, pois reunimos algumas vezes nesse âmbito, o que foi para mim um privilégio e um contributo para a apresentação do trabalho final. Por um lado, estas reuniões foram bastante profícuas, dado que funcionaram como rampa de lançamento para o meu projecto, pois permitiram abordar várias questões relacionadas com o tema que escolhi trabalhar. Por outro lado, os conhecimentos transmitidos e as experiências relatadas pelo Dr. Francisco Lopes, foram de relevante valor do ponto de vista biblioteconómico. Agradeço, também, a alguns técnicos profissionais e a outros funcionários desta biblioteca, com quem contactei durante o estágio. Julgo que não é necessário citar nomes, pois eles sabem quem são. Muito obrigada pela simpatia, amabilidade e disponibilidade demonstradas, bem como pelas informações que me deram, pelos documentos e materiais que me cederam, os quais foram bastante úteis para a elaboração do trabalho final de estágio.

Apraz-me dizer que, ainda que possa parecer suspeita, pois trabalho nesta instituição, a Biblioteca Municipal António Botto é um arquétipo de qualidade a seguir pelas outras bibliotecas, pois a sua estrutura é organizada e metódica, segue normas e regras fundamentais que estão instauradas, obedece a uma disciplina instituída que funciona bem e, acima de tudo, a sua gestão é exemplar. Esta instituição é, indubitavelmente, um exemplo creditado de um novo conceito de biblioteca de leitura pública.

Do meu ponto de vista, a Biblioteca Municipal de Abrantes espelha o esforço que tem feito ao longo de doze anos de existência, para manter a dinâmica que estimula e não deixa o público indiferente. Ao longo dos anos, esta biblioteca reflecte a preocupação de se ir mantendo actualizada em todas as suas vertentes, no sentido de se tornar apelativa e atractiva para aquele que já é utilizador e para aquele que virá a sê-lo.

Efectivamente, considero que as experiências que vivenciei, desde que nasci até hoje, tanto a nível pessoal como profissional, bem como em contexto de formação e em situação de ensino-aprendizagem, permitem-me, indubitavelmente, ter uma noção abrangente dos serviços e funcionalidades de uma biblioteca. Neste seguimento, a realização do Curso de Pós-Graduação em Ciências Documentais, opção Biblioteca e Documentação, possibilitou, por um lado, a aquisição de novos conhecimentos, sobretudo técnicos, e por outro lado, permitiu consolidar e aprofundar aprendizagens.

E, assim, termino...

Termino na expectativa de voltar brevemente!...


SL